Nos meus outros diários,
a realidade sugava um Pessoa -poeta,
encarcerado na poeira das gavetas.
Deus e o Poeta e deuses,
O mar
O sol às casas
"Sol nulo dos dias vãos"
"aquece ao menos as minhas mãos"
ou,
"a vida a morrer
o sonho da vida"
"Dorme no sonho de existir
E na ilusão de amar"
E encontro o Poeta no Tejo,
o rio da nossa aldeia,
nas casas, nos cais,
em Alfama.
Então,Pessoa voltou-se
e numa ira
sem contenção
Disse-me, o Poeta:
"és criatura minha!"
"assim como eu te embalei ,
em menina,
vais saldar a conta,
com devoção
amor,
e redenção"
"depois caminharás, em paz"
Sonhei,
sem dúvida,
sonhei!